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Jigsaw

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Finalidade PedagógicaFormação de equipes de trabalho
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Participantes4 - 8
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Tempo -
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ModalidadeSíncrona
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FormatoPresencialOn-line
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FacilitadoresMínimo de 1

A prática de Jigsaw é uma técnica de aprendizagem colaborativa que divide os alunos em grupos pequenos. Cada membro do grupo se torna um “especialista” em uma parte específica do conteúdo a ser estudado. Depois de estudar individualmente, os alunos retornam a seus grupos originais e ensinam uns aos outros o que aprenderam. Finalmente, analisam em conjunto como as diversas partes do conteúdo se complementam e diferem. Esse método otimiza o uso do tempo, incentiva a colaboração, a responsabilidade individual pela aprendizagem e garante que todos os membros do grupo tenham acesso ao conhecimento coletivo. O Jigsaw faz que os participantes tenham de desenvolver, entre outras habilidades transversais, comunicação, colaboração, responsabilidade para com os colegas e análise na busca de complementariedade e diferenciais.

Objetivos

O Jigsaw visa proporcionar um processo de aquisição de conhecimento, mas também o desenvolvimento de habilidades sociais, respeito mútuo e promoção de uma cultura de aprendizado colaborativo. Além disso, outros objetivos incluem:

a) promover a colaboração fazendo que os estudantes trabalhem juntos e compartilhem informações;

b) incentivar a responsabilidade individual, uma vez que cada aluno tem a demanda de aprender e ensinar uma parte específica do conteúdo, o que pode aumentar o comprometimento;

c) criar processos de interações significativas entre os alunos, já que cada um deles se torna um orientador ao compartilhar o que aprendeu;

d) aumentar o engajamento envolvendo-se mais profundamente com as temáticas de estudo;

e) estimular a diversidade e inclusão com a valorização de cada membro do grupo, pois todos têm um papel crucial na construção do conhecimento coletivo;

f) possibilitar a cobertura eficiente do conteúdo ao dividir entre os alunos, sendo possível abordar uma quantidade significativa de informações em um período de tempo mais curto.

Requisitos

Os requisitos para que a prática ocorra de forma produtiva são:

Espaço

O ambiente deve ser propício ao trabalho colaborativo, de maneira a facilitar tanto o trabalho em pequenos grupos quanto as discussões em grupo maior. Para o Jigsaw o espaço deve prever trabalho individual, trabalho em grupo dos especialistas, e trabalho em grupo quando se compartilham os aprendizados e se analisam as complementariedades. O sucesso dessa dinâmica depende em grande parte do planejamento e preparação, bem como da capacidade do educador de facilitar a atividade e adaptar-se às situações conforme elas surgem.

Tempo

Deve haver tempo suficiente designado tanto para a fase de aprendizado dos “especialistas” quanto para a fase de conversa entre “especialistas” e também para a fase de compartilhamento no grupo original, porém o tempo requerido dependerá também do número de participantes por grupo. Adicionalmente, os tempos vão depender da complexidade do conteúdo e do nível de aprofundamento desejado.

Participantes

O tamanho ideal de um grupo varia, muitas vezes é composto por 4 a 8 alunos, dependendo da quantidade de subtemas ou seções do conteúdo. Cada aluno é designado ou escolhe uma seção específica do material para se tornar um “especialista”. Eles podem então ser agrupados com outros especialistas do mesmo subtema para aprofundar seu entendimento antes de retornar a seus grupos originais.

Temática

Em alguns casos, pode ser útil fornecer aos alunos perguntas ou diretrizes para a leitura inicial e/ou de discussão entre “especialistas”. Também pode ser útil providenciar elementos para ajudá-los a compartilhar informações de forma eficaz e na busca de complementariedades. Antes de iniciar a dinâmica, é crucial estabelecer regras e expectativas claras sobre respeito mútuo, escuta ativa e responsabilidade pelo sucesso da atividade e a aprendizagem e ensino do conteúdo. Também ao término da atividade, pode ser útil ter alguma forma de avaliação formativa ou revisão para garantir que todos os alunos compreenderam o material.

Mediação

A pessoa facilitadora deve circular pela sala, oferecendo apoio quando necessário, resolvendo dúvidas e garantindo que os grupos estejam funcionando bem. Embora a estrutura da dinâmica de Jigsaw seja clara, o educador deve estar preparado para se adaptar às necessidades específicas da classe. Também cabe ao professor dividir o conteúdo em seções distintas, de forma que cada “especialista” tenha uma porção clara e administrável para aprender.


Materiais de suporte

Para disponibilizar o material a ser estudado pelos “especialistas” pode-se contar com texto, vídeos, podcasts, animações etc. Podem ser adotados recursos físicos, como fichas e post-its para organização preliminar dos conteúdos, construção de mapas mentais para sumarização dos conteúdos, plataformas on-line para construção de apresentações, animações e outros suportes para auxiliar no processo de aprendizagem.

Procedimentos

A prática de Jigsaw é uma técnica pedagógica colaborativa, e seu funcionamento pode ser dividido nas etapas a seguir.

Divisão do conteúdo:

antes de iniciar a atividade, o professor deve dividir o material didático ou o tema de estudo em partes ou seções menores, de maneira que seja suficiente para que um aluno possa estudá-la em detalhe em um período determinado.

Formação dos grupos:

os alunos são divididos em grupos pequenos, geralmente de 4 a 8 pessoas, chamados grupos-base ou grupos iniciais.

Atribuição das seções:

a cada membro do grupo-base é atribuída uma das seções do material em que este será responsável por estudar e ensinar seus colegas de grupo.

Formação dos grupos de especialistas:

após a atribuição, os alunos com a mesma seção se reúnem em “grupos de especialistas”. Nesse grupo, eles terão um período de tempo para compreender, analisar e discutir sua seção específica em detalhes, ajudando-se mutuamente. O objetivo é que cada aluno se sinta especialista naquela seção particular.

Retorno ao grupo base:

após se tornarem especialistas, os alunos retornam a seus grupos- base. Cada membro ensina os outros o que aprendeu sobre sua seção específica e os demais ouvem ativamente, fazem perguntas e tomam notas. O conteúdo completo será relevante para o processo de aprendizagem, portanto, espera-se que, ao término da atividade, todos demostrem um entendimento de todas as partes.

Avaliação formativa:

após a conclusão das apresentações no grupo-base, o educador pode fazer uma avaliação para assegurar que todos os alunos entenderam o conteúdo completamente. Pode ser feito por meio de testes, discussões, trabalhos ou outras atividades avaliativas.

Feedback e reflexão:

depois de concluída a atividade, é importante que os alunos e o professor reflitam sobre o processo, tais como o que aprenderam, como se sentiram ensinando e aprendendo neste formato, e quais estratégias foram mais eficazes. O professor pode fazer um resumo estruturante do que aconteceu em torno aos elementos conceituais e fazer uma reflexão sobre como a dinâmica ocorreu, quais elementos pessoais e transversais foram desenvolvidos e como isso resultou no sucesso da atividade e no aprendizado pessoal e/ou do grupo.

Aplicações

Esta prática pode ser aplicada em diferentes cenários, tais como:

estudos de caso: dividir um estudo de caso complexo em várias partes ou aspectos. Cada grupo se torna “especialista” em um aspecto e, depois, compartilha suas descobertas e análises com o grupo-base;

aprendizagem de ferramentas técnicas: cada grupo pode se especializar em um programa ou funcionalidade específica;

simulações de negócios: em cursos de negócios ou administração, os alunos podem ser divididos para estudar diferentes departamentos de uma empresa (RH, Marketing, Finanças etc.) e, depois, simularem uma reunião de equipe interdepartamental;

práticas técnicas e procedimentos: em cursos relacionados à saúde, por exemplo, diferentes grupos podem se concentrar em técnicas ou procedimentos específicos e, em seguida, ensinarem uns aos outros.

revisão de regulamentos e normas: em setores regulamentados, diferentes grupos podem analisar diferentes seções ou aspectos de uma legislação ou padrão e, depois, informar aos colegas sobre suas implicações.

desenvolvimento de projetos: para um projeto multifacetado, diferentes equipes podem se concentrar em diferentes fases ou aspectos do projeto, como pesquisa, planejamento, execução e avaliação;

análise de tendências de mercado: em cursos de Marketing ou Negócios, os alunos podem examinar e analisar diferentes tendências ou segmentos de mercado e, em seguida, compilar suas descobertas para ter uma visão geral do mercado;

habilidades de comunicação e apresentação: esta técnica naturalmente exige que os alunos comuniquem e ensinem uns aos outros, fortalecendo habilidades de apresentação e comunicação;

habilidades profissionais: no desenvolvimento de habilidades essenciais para a carreira, diferentes grupos podem se concentrar em tópicos como redação de currículo, técnicas de entrevista, construção de rede e ética profissional;

discussões éticas: para temas como ética profissional, os alunos podem analisar diferentes cenários ou dilemas éticos, discutindo as implicações e possíveis resoluções.

Exemplo

Cenário: um orientador de educação profissional está ministrando um módulo de Marketing Digital para  turma de curso Técnico em Administração. O conteúdo relativo às estratégias de marketing digital é bastante extenso e pode se tornar muito cansativo se for abordado apenas em uma dinâmica instrucional.

Objetivo: fazer que os estudantes se engajem na busca ativa, sistematização e estudo de diferentes estratégias de marketing digital de maneira que possam ser agentes do aprendizado tanto próprio como coletivo.

Preparação: inicialmente, o orientador de educação profissional realiza a seleção de escopo de estratégias e sua divisão, criando cinco temas: SEO (Otimização de Mecanismos de Busca), Marketing de Conteúdo; Publicidade Paga (PPC); Marketing nas Redes Sociais e E-mail Marketing.

Formação dos grupos Iniciais: divide a turma em grupos de cinco alunos e cada grupo recebe um subtema para se especializar;

Atribuição das seções: em cada grupo, os alunos são designados a um dos cinco subtemas;

Formação dos grupos de especialistas: os alunos designados formam um “grupo de especialistas”. Durante essa fase, os estudantes têm acesso a recursos, artigos, vídeos e outras ferramentas fornecidas pelo professor para aprofundar seus conhecimentos no subtema atribuído;

Retorno ao grupo base: após um período determinado de pesquisa e estudo, cada especialista retorna ao seu grupo inicial. Assim, compartilham seu conhecimento especializado, apresentando conceitos-chave, melhores práticas e ferramentas relacionadas enquanto ouvem e aprendem sobre os outros subtemas de seus colegas de grupo.

Avaliação: ao término, o professor aplica um teste ou projeto prático que abranja todos os subtemas. Isso incentiva os alunos a prestarem atenção em cada apresentação de seus colegas e garantirá que todos tenham uma compreensão abrangente das estratégias de marketing digital.

Feedback e reflexão: depois de concluída a atividade, o professor realiza uma sessão de reflexão, discutindo com os alunos o que funcionou bem, o que poderia ser melhorado e como se sentiram sobre a experiência de aprendizado.

Dicas para formato on-line

Aplicar a técnica Jigsaw em um ambiente de ensino remoto é viável e algumas dicas podem ajudar neste processo.

Ferramentas: use recursos tecnológicos adequadas para comunicação, tais como Zoom, Microsoft Teams ou Google Meet. Todas permitem a criação de salas simultâneas onde diferentes grupos podem trabalhar, bem como outros recursos, como compartilhamento de tela, chat e gravação. Para estudo e construção coletiva, pode-se fazer uso de plataformas para documentação colaborativa, tais como o Google Docs, Google Planilhas e Google Apresentações por meio dos quais os alunos podem trabalhar juntos em tempo real, facilitando a colaboração e o compartilhamento de informações. Também, plataformas como, Miro, Mural ou Jamboard ajudam na realização do compartilhamento de ideias e visões.

 

Processo: em ambientes virtuais, a clareza é ainda mais crítica e é importante fornecer instruções escritas e orais, verificando se todos entenderam seus papéis e responsabilidades. Seja claro sobre os tempos de início e término para cada fase do processo. Considerando que a comunicação remota pode ser mais lenta, é bom deixar um tempo extra. É relevante também fomentar a interação e encorajar que os alunos usem vídeo (se possível) para facilitar uma conexão mais pessoal, além do chat e de funções de levantamento de mãos e reações.


Facilitação: em ambientes remotos, o papel do facilitador é ainda mais crucial. As reuniões virtuais podem ser cansativas. Por isso, garanta pausas se a sessão for longa e atente para o tempo procurando manter a energia e o foco do grupo. Garanta que os alunos tenham acesso a suporte técnico ou recursos para ajudar com possíveis problemas tecnológicos e esclarecer suas dúvidas sobre o processo.

Referências

The Jigsaw Classroom – 
https://www.jigsaw.org/
Este site, fundado por Elliot Aronson, oferece informações sobre a técnica Jigsaw, incluindo sua história, como implementá-la, perguntas frequentes e recursos adicionais.

Jigsaw Classroom: Building Cooperation in the Classroom, de Elliot Aronson e Shelley Patnoe. Este livro é uma introdução à técnica Jigsaw por um de seus criadores e fornece uma visão geral e orientações práticas para sua implementação.

Estratégias de Ensino e Sucesso Acadêmico, de Isabel Solé e César Coll.
Discute diversas estratégias pedagógicas, incluindo abordagens colaborativas que se assemelham ou podem ser combinadas com o Jigsaw.

 

 

 

 

Palavras-Chave

  • autonomia
  • colaboração
  • compromisso
  • comunicação
  • diálogo estruturado
  • engajamento
  • reflexão individual
  • responsabilidade individual
  • socialização