O método de Aprendizagem Baseada em Jogos (ABJ) – ou, em inglês, Game-Based Learning (GBL) – em ambientes educacionais é uma abordagem pedagógica que utiliza jogos para facilitar a aprendizagem. Esta técnica faz uso da natureza envolvente e motivadora dos jogos para ensinar conceitos, habilidades práticas e atitudes. Em um ambiente de sala de aula, os jogos devem ser cuidadosamente selecionados ou projetados para alinhar com os objetivos de aprendizagem específicos. Os estudantes participam ativamente dos jogos, enfrentando desafios e resolvendo problemas que refletem situações da vida real ou conceitos teóricos. Este método estimula o pensamento crítico, a colaboração e a tomada de decisões, enquanto mantém os alunos engajados e entusiasmados com o processo de aprendizagem. Além disso, a ABJ permite a avaliação imediata por meio do feedback fornecido pelo jogo, ajudando os alunos a compreenderem e a corrigirem seus erros em tempo real. Ao incorporar elementos lúdicos ao ensino, a Aprendizagem Baseada em Jogos torna-se um método muito propício ao aumento do engajamento e da retenção de conhecimento e desenvolvimento de competências chave em um ambiente divertido e interativo.
Objetivos
A Aprendizagem Baseada em Jogos tem como principal objetivo fomentar um processo lúdico e engajador para o desenvolvimento de habilidades práticas e técnicas específicas, podendo ser aplicado em diversas áreas de formação. Além disso, outros objetivos são:
a) fomentar o pensamento crítico e a resolução de problemas complexos do mundo real;
b) estimular o trabalho em equipe e a colaboração efetiva entre os colegas;
c) incentivar a autonomia e a autoaprendizagem, promovendo a busca ativa por conhecimento;
d) melhorar a capacidade de tomada de decisões rápidas e eficientes em situações simuladas de pressão;
e) promover a adaptação a novas tecnologias e ambientes digitais, essenciais no mercado de trabalho atual;
f) cultivar habilidades de comunicação e apresentação, essenciais para o ambiente profissional;
g) proporcionar uma compreensão prática de conceitos teóricos por meio de simulações interativas;
h) aumentar o engajamento e a motivação dos alunos em relação ao conteúdo programático;
i) facilitar a avaliação contínua e o feedback imediato para identificar e corrigir lacunas de aprendizado;
j) preparar os alunos para situações reais de trabalho por meio de experiências simuladas.
Requisitos
Espaço
Um ambiente confortável e espaçoso, que pode acomodar os participantes e permitir interação e movimento, é ideal. Para jogos digitais ou simulações, são necessários os dispositivos adequados, bem como um ambiente virtual estável.
Tempo
As sessões de jogo devem ser planejadas com duração adequada para permitir o envolvimento significativo sem causar fadiga. Isso pode variar de 30 minutos a algumas horas, dependendo do jogo e dos objetivos de aprendizagem. A frequência das sessões deve ser ajustada para se adequar ao currículo e permitir tempo suficiente para a reflexão e a aplicação dos aprendizados.
Participantes
O tamanho do grupo deve ser adequado para o tipo de jogo, permitindo a participação ativa de todos. Grupos com diversidade de habilidades e conhecimentos podem enriquecer a experiência de aprendizagem.
Temática
Os jogos devem estar alinhados com as competências e habilidades específicas do campo profissional em questão. A temática deve ser contextualizada para se relacionar com situações reais de trabalho.
Mediação
Instrutores ou facilitadores devem orientar, monitorar e apoiar os alunos durante as atividades. Sessões de reflexão após as atividades de jogo são cruciais para discutir sobre os aprendizados.
Materiais de suporte
Recursos do jogo, o que inclui o próprio jogo (físico ou digital), peças, cartas, tabuleiros etc. Equipamentos como computadores, tablets ou dispositivos de realidade virtual, se aplicável. Guias, manuais, e materiais de apoio para facilitar a compreensão e a aplicação dos conceitos.
Materiais de suporte
Instrutores ou facilitadores devem orientar, monitorar e apoiar os alunos durante as atividades. Sessões de reflexão após as atividades de jogo são cruciais para discutir sobre os aprendizados.
- Temática
Os jogos devem estar alinhados com as competências e habilidades específicas do campo profissional em questão. A temática deve ser contextualizada para se relacionar com situações reais de trabalho.
Mediação
Instrutores ou facilitadores devem orientar, monitorar e apoiar os alunos durante as atividades. Sessões de reflexão após as atividades de jogo são cruciais para discutir sobre os aprendizados.
- Materiais de suporte
Recursos do jogo, o que inclui o próprio jogo (físico ou digital), peças, cartas, tabuleiros etc. Equipamentos como computadores, tablets ou dispositivos de realidade virtual, se aplicável. Guias, manuais, e materiais de apoio para facilitar a compreensão e a aplicação dos conceitos.
Procedimentos
Aplicações
A Aprendizagem Baseada em Jogos (ABJ) pode ser aplicada de várias maneiras como prática pedagógica em cenários de educação profissional, abrangendo diferentes áreas e habilidades. Aqui estão algumas aplicações possíveis:
simulações de negócios: jogos que simulam ambientes de negócios podem ser usados para ensinar gerenciamento, economia, marketing e habilidades empresariais.
jogos de role-playing em saúde: simulações que colocam os alunos em papéis de profissionais de saúde, enfrentando cenários clínicos reais, para desenvolver habilidades médicas, de enfermagem e de tomada de decisão rápida.
jogos de estratégia em engenharia: utilização de jogos de estratégia e construção para ensinar princípios de engenharia, gestão de projetos e resolução de problemas complexos.
simulações de tecnologia da informação: jogos que simulam redes, programação e gestão de sistemas de TI, para ensinar habilidades técnicas e de segurança cibernética.
jogos de design e criatividade: jogos focados em design, arte e criatividade para estudantes em áreas como design gráfico, moda ou arquitetura.
treinamentos de habilidades soft: jogos focados no desenvolvimento de habilidades interpessoais, como comunicação, trabalho em equipe, liderança e resolução de conflitos.
simulações de gerenciamento de recursos: jogos que envolvem a gestão de recursos e logística podem ser aplicados em cursos de gestão de cadeia de suprimentos e operações.
jogos de realidade virtual para treinamentos práticos: uso de realidade virtual para simular ambientes de trabalho, como laboratórios, oficinas ou locais de construção, proporcionando experiências práticas seguras.
jogos de simulação ambiental: jogos que simulam questões ambientais e sustentabilidade, úteis para cursos em ciências ambientais e estudos sobre energia.
jogos de resolução de mistérios em direito e criminologia: jogos que envolvem solução de casos ou mistérios, úteis para estudantes de direito, criminologia e da área forense.
Exemplo
Uma professora na área de Segurança no Trabalho está tratando do tópico sobre respostas eficientes para emergências. Assim, ela acredita que uma boa forma de aprendizado para os alunos pode ser com o uso de jogos de simulação.
Objetivo do jogo: ensinar aos alunos como responder a diferentes tipos de emergências de segurança, como incêndios, vazamentos químicos ou situações de intrusão.
Preparação: a professora seleciona um jogo de simulação que coloca os alunos em cenários de emergência. Pode ser um jogo de computador, uma simulação de realidade virtual ou até mesmo um jogo de tabuleiro detalhado.
Instruções: os alunos recebem orientações sobre os objetivos do jogo, regras e como as decisões tomadas no jogo se relacionam com procedimentos de segurança da vida real.
Execução: os alunos são divididos em equipes, cada uma enfrentando diferentes cenários de emergência. Eles precisam avaliar rapidamente a situação, identificar riscos e tomar decisões sobre como responder. Cada decisão é seguida por um feedback imediato do jogo, mostrando as consequências das suas ações.
Papéis: dentro das equipes, os alunos assumem diferentes papéis, como líder da equipe de resposta, técnico de segurança ou coordenador de evacuação, para promover a aprendizagem de diferentes aspectos da resposta a emergências.
Reflexão: após a sessão de jogo, a professora conduz uma discussão em que os alunos refletem sobre suas decisões, compartilham experiências e discutem como aplicariam o aprendizado em situações reais.
Avaliação e feedback: a professora avalia o desempenho dos alunos com base em critérios como eficácia da decisão, comunicação da equipe, e entendimento dos procedimentos de segurança. Feedback construtivo é fornecido para melhorar o aprendizado e a performance.
Esta prática de Aprendizagem Baseada em Jogos apoia a prática de habilidades em um ambiente controlado. Assim os alunos ganham experiência prática em gerenciar emergências sem os riscos associados a situações reais. Além disso, desenvolvem habilidades de tomada de decisão e liderança, uma vez que a simulação desafia os alunos a tomarem decisões rápidas e eficazes sob pressão. Também há promoção de comunicação e trabalho em equipe em colaboração nas situações de emergência. Tendo em vista que que a simulação permite a aplicação prática de conceitos teóricos aprendidos em sala de aula, a ABJ pode ser um método interessante na educação profissional.
Dicas para formato on-line
Na Aprendizagem Baseada em Jogos, não são reconhecidos apenas os jogos digitais, mas também os físicos. Portanto, em formato on-line, há o impedimento de adoção dos jogos físicos e de contato direto. Entretanto há uma grande gama de possibilidades de jogos em formato on-line que podem apoiar os processos de educação profissional. Algumas dicas a seguir:
Ferramentas – use recursos tecnológicos adequados para comunicação, tais como Zoom, Microsoft Teams ou Google Meet. Todos permitem a criação de salas simultâneas em que diferentes grupos podem trabalhar, além de recursos como compartilhamento de tela, chat e gravação.
Preparação – importante que as ferramentas sejam testadas com antecedência e todos os participantes tenham acesso e sejam capacitados. Forneça uma agenda clara com links, tempos e expectativas para cada sessão, além de tutoriais e vídeos para que possam se preparar previamente.
Processo – encoraje os participantes a escolherem um espaço de trabalho tranquilo. É muito importante também estabelecer pausas regulares, uma vez que, em geral, em um ambiente virtual, é mais difícil manter o engajamento contínuo por longos períodos. É produtivo também, logo no início, estabelecer regras claras. Por exemplo: como as pessoas devem indicar que querem falar? O que elas devem fazer se precisarem sair rapidamente? Se a pessoa tiver problemas de conexão, como proceder? Entre outras questões particulares do ambiente virtual.
Facilitação – em ambientes virtuais, o papel do facilitador é ainda mais crucial, sendo importante que este seja engajado e capaz de manter a energia. Usar recursos como enquetes, quizes ou outras atividades interativas pode ajudar a sentir o clima de engajamento. Em processos virtuais, haver uma ou mais pessoas que possam apoiar a pessoa facilitadora pode ser bastante produtivo e trazer maior segurança. O formato virtual pode trazer surpresas como problemas técnicos, e as pessoas facilitadoras devem estar prontas para se adaptar, flexibilizar e oferecer soluções e alternativas.
Acompanhamento – forneça aos participantes a oportunidade de feedback sobre como o processo está ocorrendo, fazer check-ins rápidos no início e no final de cada dia pode trazer ótimos resultados para ajustes conforme necessário.
Referências
Aprendizagem baseada em jogos digitais
por Marc Prensky
A realidade em jogo: por que os games nos tornam melhor e como eles podem mudar o mundo
por Jane McGonigal
Games em educação: como os nativos digitais aprendem
por João Mattar
Jogar para aprender: tudo o que você precisa saber sobre o design de jogos de aprendizagem
por Sharon Boller e Karl Kapp
Plataforma MEC de Recursos Educacionais Digitais
https://plataformaintegrada.mec.gov.br/
Banco Internacional de Objetos Educacionais
